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Haiti - Dia 1


Doações

Haiti - Dia 1

15 DE MAIO DE 2014

Estamos no Caribe, na mesma ilha que a República Dominicana.

A população é de 10 milhões de habitantes e 80% dela ganha menos de U$2,00 por dia.

Metade da população é jovem com menos de 20 anos, não tem oportunidades, estudo ou emprego. Algo complicado para pessoas que são o futuro do país.

Aterrissamos em Porto Príncipe, a capital do Haiti. Saímos do avião e entramos no salão da imigração com uma bela surpresa: Wifi – ótimo sinal. Era um prédio novo, pequeno, porém bem arrumado (o aeroporto antigo foi derrubado pelo terremoto de 2010). Passamos pela imigração, pegamos as malas e fomos mandados para a revista com as malas cheias de medicamentos, instrumentos odontológicos e camisetas Hevp para doação.

Confesso que fiquei um pouco ansioso devido à possibilidade de todos os remédios que tínhamos arrecadado serem retidos e quem sabe não conseguirmos doar as camisetas caso elas tivessem o mesmo fim.

Mas foi só um pensamento negativo. O sorridente haitiano que inspecionou as malas olhou para tudo com muito carinho. Nesse momento também percebi que a comunicação seria um problema: a língua popular no Haiti é o Crioulo, que é muito difícil de falar e entender. Além disso, eles também falam o Francês, o que continuaria dificultando minha comunicação.

Pois bem, na saída, como em muitos países onde a chegada e partida de estrangeiros é intensa e diária, existem várias pessoas oferecendo ajuda com as malas e táxis em troca de um dinheirinho. Normal.

Estava muito quente!!!!!!!!

O caminho até a base em um Tap Tap foi de impressionar. Tap Tap é o nome dado ao veículo que mais transporta as pessoas no Haiti: é uma caminhonete, geralmente muito antiga com a caçamba coberta e duas tábuas que servem de banquinho nas suas laterais. É como se fosse o transporte público, com um custo muito baixo. Outra opção de transporte é o moto táxi.

O caos tomava conta. Pouco asfalto e muita terra, muitos carros, poeira e uma grande quantidade de gente na rua. Uma das principais avenidas da cidade não era asfaltada por inteira, dificultando a vida da população que tem que se preocupar com qualquer chuvinha.

Mais perto da nossa base, no bairro de Tabarré, fomos maravilhosamente surpreendidos pelas crianças vizinhas que subiram no nosso Tap Tap. Uns minutos depois tive meu primeiro contato com um bebê sem a parte de baixo da roupa, fiquei paralisado quando ele pulou no meu colo e eu não sabia o que fazer. Mas aquele momento me introduziu às boas emoções que o Haiti me traria.

Chegamos em “casa” e conversando com outros voluntários que já viviam ali descobri outras coisas. A primeira e mais espalhafatosa é que 4G rola solto por lá, não da pra acreditar, né?

Como parte da galera “nerd”, arrumei um chip local por 20 dólares e alguns dias de conexão. Sensacional, mas estranho.

Percebemos que apesar da falta do básico e da miséria que assola o país, a internet chega antes que outras coisas mais importantes.

A segunda é que não existe água tratada e encanada. Funciona assim: quem tem casa e um poço de água, tem que comprá-la de uma empresa fornecedora através de um caminhão pipa (3 mil litros de água sai por uns 70 dólares). Cada casa trata sua água e nós fazíamos isso com cloro e aí tomávamos banho e escovávamos os dentes.

A terceira coisa é que falta energia no Haiti TODOS os dias. Quem tem casa, tem que ter baterias, que são carregadas quando tem energia e são usadas para suprir a falta dela durante certo tempo.

Tudo isso fez parte do nosso dia a dia durante o tempo que passamos lá.

No próximo post escrevo sobre nosso primeiro dia de trabalho no Haiti.

Grande abraço a todos,

Lucas

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