Sonhos tomando forma: Impacto social sem gerar dependência

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Negócios Sociais

Sonhos tomando forma: Impacto social sem gerar dependência

02 DE MAIO DE 2017

Escrever sobre nosso modelo de impacto social é necessário. Mas como estamos começando a colocar em prática nossas novas ideias (vindas de muito estudo e experiência), os resultados demoram a aparecer e por isso sempre acho melhor não encher vocês com as mesmas informações.

Coisas concretas talvez expliquem melhor essas ideias do que sonhos e vontades.

Eu aprendi que doar faz parte. Dar de graça também. O assistencialismo é algo necessário já que muitos dos que precisam não tem tempo suficiente para esperar algo a longo prazo.

Mas fazendo as várias doações que a Hevp fez no Quênia, Nepal e Haiti. Visitando Bangladesh, India, Etiópia e outros países onde a pobreza e miséria é muito visível, eu comecei a não acreditar mais tanto no que estávamos fazendo com relação ao impacto social.

Quero dar um exemplo: A Hevp vende seus produtos. Supomos que para cada produto doamos 1 prato de comida. Quantos produtos a Hevp tem que vender para alimentar uma pessoa por um ano? São 360 dias vezes 3 refeições: 1.080. Quantos produtos ela terá que vender pra alimentar essa mesma pessoa por 10 anos? 10.800. Pensando em faturamento, e colocando um produto na média de 100,00 reais, a empresa teria que faturar 108.000,00 reais por ano para alimentar uma pessoa por 1 ano. Se o objetivo dessa empresa for ajudar 10 pessoas, o faturamento teria que ser maior que 1 milhão. Bastante né? Mas vamos supor que uma empresa seja gigante e fature 1 bilhão (BILHÃO) por ano? Ela conseguiria ajudar 10 mil pessoas. 

Quantas pessoas a Hevp conseguiria ajudar, já que 800 milhões de pessoas passam fome no mundo? 

Outras coisas influenciam:

1- Capacidade de manter as vendas por anos. Como dar comida para uma pessoa por 1 ano e de repente parar por não estar conseguindo vender tanto quanto antes? Se sua empresa fecha, os pratos de comida doados já não existirão mais.
2- Doaçao gera dependência.
3- Consumo enorme de matéria prima para os produtos de venda. 

Dei o exemplo da fome e de uma empresa como a Hevp, porque era o que fazíamos até 1 ano atrás. Mas poderia ser sobre educação, saúde, moradia...

A empresa poderia doar meses de educação em uma escola para uma criança para cada produto vendido. Seria show. Mas quanto teria que vender pra ajudar 1 criança por 10 ou 15 anos de estudo? Me parece algo insustentável. Não só por questões mercadológicas, mas também pela efetividade do modelo: é necessário vender demais para ajudar gente de menos e ainda manter dependente quem precisa, sem realmente transformar.

Isso começou a mexer muito comigo e nos deu a motivação para mudar. E mudamos.

Ao invés de doar, criamos negócios, emprestamos pequenas quantias de dinheiro (microcrédito, o que logo mais iremos explicar para vocês como funciona) e ajudamos àqueles que precisam, de forma que possam gerar a própria renda e não depender mais de doações.

Para o modelo ser sustentável e também não depender das nossas vendas e da Hevp, receberemos de volta os valores investidos, apenas depois de essas pessoas começarem a ganhar dinheiro e tiverem condições de devolver o valor que lhes foi investido. Quando pagarem, com um mínimo de juros, esse dinheiro será investido e teremos um pouco mais do que o que investimos inicialmente para reinvestir em outros negócios ou mais empréstimos.

Cada produto vendido estará sempre rendendo impacto social sem precisarmos vender e vender e vender para ajudar as mesmas pessoas. Estaremos investimos o dinheiro de forma mais inteligente socialmente. 

Na nossa Cooperativa de Costura no Haiti é assim: analisamos a oportunidade de mercado e definimos um foco (uniformes escolares, já que é obrigatório mesmo em escolas públicas, e vestidos femininos), demos um curso (ainda em andamento) para 6 mulheres, alugamos um espaço, investimos nas máquinas e acompanhamos o negócio até ele andar sozinho e não ser mais nosso.

Temos várias etapas para cumprir. No início o processo é demorado mas esse post é pra mostrar nosso atual estágio: muito perto de começarmos a vender e criar faturamento para a cooperativa.

Marie France e Loune (as líderes) já sabem fazer vestidos:

Uniformes escolares infantis já estão no jeito:

E até uniformes para professores:

Faltam algumas coisinhas, principalmente no quesito detalhes e finalização. Mas para 4 meses, tendo aulas 1 vez por semana elas estão mandando muito bem.

Estamos trabalhando muito para fazer isso acontecer. Elas, mais que a gente. 

Assim que tiver mais novidades a gente conta. A cooperativa e o microcrédito no Haiti são nosso foco agora.

Obrigado por lerem!

Grande abraço,

Lucas

 

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