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Paranaense viaja a pé de Paris até Munique


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Paranaense viaja a pé de Paris até Munique

07 DE NOVEMBRO DE 2017

A vitória é o sonho de quem nunca desiste. Essa é a frase que expressia minha “loucura” de cruzar parte da Europa a pé. Estar a sós comigo mesmo foi o principal motivo de compor essa viagem minimalista pela Europa cruzando fronteiras e vivenciando diferentes culturas pelo leste francês, norte suíço, oeste austríaco e sul germânico. A barraca foi minha casa na maior parte da jornada. Como um lobo solitário caminhei por estradas silenciosas na França. Enquanto na Suíça praticamente todo o percurso foi às margens do Rio Limmat e Reno. Alemanha e Áustria me reservaram as paisagens mais bonitas com montanhas nevadas e lagos.

O desafio era caminhar entre 25 a 30 quilômetros por dia, sendo uma média de 8h caminhando e 4h descansando, não era uma tarefa fácil. Ainda mais com uma mochila pesando cerca de 25kg. Embora pesada e talvez você se questione o porquê esse peso, nela estava absolutamente tudo o que era necessário: barraca, saco de dormir, câmera, lentes, notebook (para backup), fogareiro, comida, roupas, acessórios básicos de sobrevivência e kit saúde. Dos 32 de viagem, 20 foram dormindo na barraca entre plantações de milho na França, às margens do rio Reno na Suíça, lagos e montanhas na Alemanha.

Mesmo cansado e muitas vezes sem a recuperação necessária entre um dia e outro de caminhada, eu acordava empolgado pelos novos desafios que viriam. Percebi que tinha melhor desempenho caminhando entre as 6am até 11am e “almoçar” e descansar até 1pm. Os 15 dias na França foram sofridos. O sol era intenso e teve dias que chegou a fazer 30º em dias que não havia uma nuvem no céu. Nem me lembro de quantas vezes caminhei a passos lentos por estar esgotado pelo cansaço. Já às margens do Rio Reno na Suíça, entre Basel e Zurique, descobri o poder e o valor do silêncio.

O processo do caminho faz toda diferença e nada melhor do que conhecer os lugares com calma, fazer programas com moradores locais e ir a lugares fora da rota turística. Mochilar é sentir o mundo de perto, compreender as diferenças, aprender sobre si mesmo e perceber que no final das contas, todos temos algo em comum. A liberdade de ter nas costas com uma mochila (muitas vezes grande) lhe permite viajar sem filtro seletor.

Me hospedei com 11 pessoas diferentes. Tomei cerveja orgânica. Comi comida vegana e vegetariana. Experimentei comidas típicas do Siri Lanka, Árabe e do Paquistão. Passei mal de tanto comer chocolate suíço. Na maior parte das vezes com 5 euros eu comprava pão, queijo, iogurt, red bull, 2 bananas, 2 maçãs e 4 tomates nos mercados da França e Alemanha. Fiz 30km de bike em 8 vilarejos na Áustria. Aprendi palavras em Francês, Alemão e Urdu. Fiz amigos pra vida toda. Fui à maior festa de cerveja do mundo: a Oktoberfest

 

Foram mais de 800km pra chegar em Munique na manhã de sol de 25 de setembro.

 

Uma viagem nunca termina. Porque a jornada faz parte de nós.

- Fayson Merege

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